
Na Escola Secundária Leal da Câmara, em Rio de Mouro, Sintra, a greve
dos professores, na passada Segunda-feira, em dia de exame nacional, fez-se
sentir, com uma adesão de 90 por cento, de acordo com os sindicatos da FENPROF. Os
alunos não ficaram surpreendidos, mas só querem saber como é assegurada a
igualdade entre os que fizeram exame e os que não fizeram.
Às
oito e meia da manhã, já muitos alunos se juntam à porta da escola. As
conversas não circulam em redor das dúvidas sobre o português que sai no
exame, mas se efectivamente vai ou não haver exame.
Ana e
Catarina, ambas de 17, não escondem essa ansiedade. «Eu estudei
normalmente para ter exame hoje, mas é óbvio que há sempre aquela
insegurança», diz Catarina. «Já estou nervosa e ainda se junta a
incerteza», acrescenta Ana. Ricardo, também de 17, confessa: «Espero bem
que não» haja exame. Catarina e os colegas entram para a escola
normalmente pouco antes das nove. Talvez três dezenas de professores
permanecem à porta. Por volta das 09:10, os números da greve, ainda
provisórios, são recebidos com uma salva de palmas e sorrisos por parte
dos docentes.

E a contabilidade final confirma-o: «Mais de
metade dos exames não se realizam. A Escola Alberto Neto [ao lado e do
mesmo agrupamento] fechou porque nenhum exame foi lá realizado. Aqui
nesta escola, em 26 salas que iam ter exames apenas dez» o fizeram,
afirma Belandina Vaz, concluindo a docente que a «adesão, pelo menos
nestas escolas, é superior a 90 por cento», ou seja, «em 320 professores
chamados, só 20 é que estão a furar a greve», o que é «muito, muito bom
para a luta dos professores».
Cada sala
desta escola levaria, em média, 16 alunos, num total de mais de 300 que
se propuseram a exame. Mas, destes, só 160 é que acabam por realizá-lo.
Entre os alunos que saem, torna-se mais evidente a outra grande dúvida
que os assaltava antes de entrarem: como é que vai ser garantida a
igualdade entre todos? Ana e Catarina já nos tinham dito que «se uma
sala não fizer exame no país, não faz sentido que o resto faça». Filipa
até ouviu dizer que «os alunos que não fizerem vão todos corridos a
dez».
Os receios de Ana confirmam-se: uns fazem e outros não.
«Vai sempre haver aquela comparação de exames. Vão sempre achar que vai
ser mais fácil um do que o outro.Vai gerar confusão entre os alunos»

Belandina
Vaz deixa a pergunta a Nuno Crato: «Como é que o senhor ministro vai
descalçar esta bota?». Renata Coelho, outra professora, remata: «Era
adiar logo o dia», porque «não é todos os dias que andamos em greve. É
mesmo birra do ministro da educação».
Ana Luísa Prista e Sofia
Correia respondem à chamada dos filhos para irem buscá-los e a dúvida
também assola esta mães, embora compreendam a luta dos professores.
«Esperam que tudo se resolva».
Rodrigo Ferreira, 18 anos, também
liga para a família a avisar que não fez o exame e agora aguarda pela
marcação de nova prova. «Fui perguntar e disseram-me que tenho que estar
atento ao que a escola diz, que eles depois marcam outra data».
Fonte: TVI 24.
Viva Sintra!